Mineração no Norte de Minas é debatida

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Mineração no Norte de Minas é debatida

A instalação de um complexo minerário no Norte de Minas gerou debate na reunião da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (26/08/21). Os parlamentares da Comissão ouviram prefeitos, lideranças, ambientalistas, representantes privados e dos geraizeiros, comunidades tradicionais que vivem do extrativismo do cerrado, sobre o denominado projeto Bloco 8, da empresa Sul Americana de Metais (SAM).

O empreendimento, em fase de licenciamento ambiental, prevê investimentos de US$ 2,1 bilhões para extração e beneficiamento de minério de ferro de baixo teor nos municípios de Grão Mogol, Padre Carvalho, Fruta de Leite e Josenópolis. O transporte do minério até o Porto Sul, em Ilhéus (BA), exige a construção de um mineroduto por empresa terceirizada, que utilizará a água da barragem a ser construída com recursos da SAM, no Rio Vacaria.

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Perspectiva

O deputado Gil Pereira (PSD), integrante da Comissão de Meio Ambiente, destacou que o reservatório de Vacaria é demanda antiga da região, salientando que o projeto Bloco 8 trará nova perspectiva e benefícios para todo o Norte de Minas, desde que se concilie desenvolvimento com preservação ambiental e garantias sociais:

“O Bloco 8 é viável, desde que seja implementado em conformidade com novo projeto apresentado pela SAM, com tecnologia segura, atualizada à rigorosa legislação estadual do setor, sustentabilidade ambiental, diálogo e respeito aos geraizeiros. Portanto, sem oferecer riscos às pessoas, comunidades e à natureza, e, sim, gerando empregos, renda, recursos aos municípios e benefícios para o Norte de Minas”, ressaltou o deputado Gil Pereira, que também preside a Comissão das Energias Renováveis e dos Recursos Hídricos.

Supervisão

E complementou: “Em condições similares, em 1999, embora houvesse opiniões contrárias, apoiei a construção do reservatório de Irapé, que hoje gera energia essencial para a região, evitando apagões, com investimento à época de R$ 90 milhões pelo governo estadual. Assim como defendo a conclusão das obras do Projeto Jequitaí (abastecimento e agricultura irrigável), que já poderia ter evitado a construção da adutora de água para Montes Claros. Quando estiver totalmente implantado, deverá gerar 105 mil empregos diretos e indiretos, além de contribuir para a revitalização do Rio São Francisco”, argumentou Gil Pereira.

O parlamentar destacou, ainda, que confia “na supervisão técnica e ambiental do Ministério Público Estadual, sob coordenação do procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares, e da secretária de Estado de Meio Ambiente (Semad-MG), Marília de Melo”.

Fronteira mineral

A representante da SAM, Gizelle Tocchetto, afirmou que o projeto Bloco 8 vai “quebrar paradigmas no mercado mundial e transformar o Norte de Minas em uma nova fronteira de exploração mineral”. A empresa, controlada pelo grupo chinês Honbridge, será a primeira a processar minério de ferro com teor de 20%, no Brasil. Quando estiver em plena operação, serão produzidas por ano 27,5 milhões de toneladas de concentrado com teor de 66,5%.

Ela assegurou que cerca da metade da água da barragem de Vacaria (48%) será destinada ao abastecimento da população local e serão distribuídos kits de irrigação para fomentar a agricultura familiar. Também será construído reservatório de menor porte para atender à população do Vale das Canelas, onde será instalado o complexo minerário.

Gizelle Tocchetto esclareceu que o projeto Bloco 8 exige a utilização do mineroduto, pois o minério a ser explorado é de baixo teor: “A maior parte da água direcionada à SAM será utilizada no beneficiamento do minério, e não no transporte pelo mineroduto”.

Compensação ambiental

Às ações de compensação ambiental, serão destinados R$ 55 milhões. Segundo informou a SAM, os geraizeiros serão contemplados nesses programas. “A cultura geraizeira e o desenvolvimento econômico podem andar juntos”, defendeu Gizelle Tocchetto.

Quanto à segurança das duas barragens de rejeitos, a SAM assegura que serão construídas com metodologia linha de centro, ficando localizadas acima da cava, e haverá muro de contenção abaixo da estrutura da mina, para evitar o risco de vazamentos, na hipótese de acidente. Para aumentar a segurança da operação, a extração de minério será automatizada.

Ao todo, serão gerados 6.200 empregos durante as obras de implementação do complexo minerário. Quando estiver em operação, serão 1.100 empregos diretos e outros 5.000 indiretos, segundo informou a SAM. A empresa espera obter a licença ambiental prévia até o final do ano, para entrar em operação no início de 2026.

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